23.1.07

Ser publicitário



Almir Fonseca, um dos maiores criativos da Bahia, ganhador de Leão de Ouro em Cannes, e que durante muito tempo foi Diretor de Criação da minha falecida agência, dizia que propaganda seria a atividade mais gratificante do mundo se não existisse o Cliente.

Suprema heresia, visto que sem o Cliente não existe negócio, a queixa do Almir era, de certo modo, compreensível. Os clientes sempre gostaram de meter o dedo e interferir no trabalho da criação, por puro capricho ou medo de ousar.

Se era assim na década de 80, quando a propaganda baiana estava em seu auge, época em que o Duda Mendonça ainda estava por aqui e o Nizan Guanais era apenas seu estagiário, imagine agora. Vários anunciantes de peso estão fora da mídia. Sobraram as empresas de varejo, com verbas ridículas, destinadas quase que exclusivamente à veiculação. Para a criação e produção, não sobra nada. O que vemos na TV são os velhos e indigestos VTs de cartela, com a única diferença que agora elas sao feitas eletronicamente.

Obviamente, estou me referindo à propaganda feita fora do eixo Rio-São Paulo. É broxante! Para sobreviver, as agência "fazem qualquer negócio" e isso implica, muitas vezes, em fazer a coisa errada porque é daquele jeito que o cliente quer, o que me faz lembrar de uma outra frase do Almir: "Nós fazemos bosta porque o cliente gosta".

Ainda dentro desse tema, conta-se que certa vez, em Hollywood, um roteirista iniciante submeteu seu primeiro filme a um produtor famoso, com o objetivo de conseguir recursos para realizá-lo. Passados alguns dias, voltou ao escritório do produtor que lhe disse: "O roteiro é bom e estou disposto a financiá-lo, desde que você tire o macaco". O filme era King-Kong.

Vocês não fazem idéia de quantas vezes meus clientes já tiraram o macaco dos meus comerciais.


5 comentários:

Alexis Kauffmann disse...

Cara... Só quem trabalha com isso sabe o quanto as frases desse Almir são geniais - e porque você pode até tirar a loura (uma ruiva, morena ou mulata serviria do mesmo jeito), mas o macaco...

Tá bom, tira o dinossauro que eu filmo o Godzila! Tira os caninos afiados que eu filmo o Dracula!

(E não esquece de botar a foto do meu filho no cartaz de divulgação. E daí que ele não está no elenco? Você está querendo me dizer que MEU FILHO não pode aparecer no cartaz?)

(argh!)

r a c h e l disse...

hahaha, eu sei bem como é. embora minha formação seja em jornalismo, o meu primeiro emprego (fiquei 4 anos lá) foi na ALMAP/BBDO Rio. Também vi muito macaco bão ser assassinado por cliente!

Claudia disse...

Xi, q chato isso, né??
Acho q o segredo é abstrair, pq se não pira o cabeção..
Bjk..

Anônimo disse...

O Almir Fonseca é o meu pai. aprendi muito com ele... fico feliz por está sendo lembrado como um dos maiores gênios da publicidade Baiana e pq não dizer do Brasil. Fico feliz pela homenagem. Tiago Fonseca.

José Alberto Farias disse...

Olá, Tiago!
Quero muito ter notícias do seu pai. Como ele está, o que anda fazendo?
Você não lembra de mim, mas eu te conheço (era um pirralho, na época).
Abração!