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8.2.07

Como estragar uma boa idéia




Sérgio Guerra é um excelente fotógrafo e produtor cultural. A idéia de promover uma grande exposição a céu aberto das suas fotos, sob o título "Salvador Negro Amor", é muito boa. Mas o projeto de Sérgio peca pelo excesso.

Primeiro, o excesso de fotos. Salvo engano, são 240 imagens. Algumas são geniais, mas se perdem dentre outras tantas que não acho tão boas assim. Segundo o excesso de meios: as fotos são exibidas em outdoors, painéis de diversos tamanhos e formatos, cavaletes e posters presos nos postes de iluminação. Essa mistura de mídias, faz com que a exposição não tenha unidade e se confunda às vezes com cartazes publicitários. Alguns suportes são mal produzidos e terminam empobrecendo o material exposto.

O projeto Salvador Negro Amor, que contou com o apoio da Petrobrás, poderia ser algo memorável, se o autor tivesse feito uma seleção rigorosa das fotos, escolhendo um número menor de imagens, e exibindo-as em painés montados para esse fim. Da maneira como foi executado, Salvador Negro Amor se misturou à já caótica paisagem urbana de Salvador e poucas foram as fotos que conseguiram sobressair em meio a tanto ruído visual.

É uma pena que Sérgio Guerra tenha deixado de levar em conta o fato de que em fotografia, como em tantas outras coisas, menos é mais.


2.2.07

Odoyá - Iemanjá



Festa de Iemanjá, uma das mais belas festas religiosas da Bahia.
"Eu nada pedi. Só agradeci." (Jerônimo)

Vejam mais fotos aqui.

As belas de No Mínimo

Psssiu!

A coluna Papo de Homem, do site No Mínimo, escolheu as 3 mais belas de 2006, dentre aquelas que mereceram citação no site ao longo do ano. Carolina, minha modelo mais constante, foi uma das eleitas, ao lado de duas outras mulheres belíssimas. Claro que fiquei cheio de orgulho.

Você pode ver outras fotos da Carol aqui.


20.1.07

Jesus live in New York
















































Alguém sabe quem é o autor dessas fotos? Encontrei-as na web, sem nenhuma referência. As fotos são geniais e eu preciso conhecer o resto da obra desse fotógrafo.

9.1.07

Água-viva morta



Encontrei esta coisa quando caminhava na praia. De longe, pensei que era uma camisinha cheia de ar. Na verdade, é uma água-viva mortinha da silva.

8.1.07

Eu e meus outros eus

No ano passado fui entrevistado pelo site G é h acerca de um tema que raramente abordo aqui. Reencontrei a página por acaso, quando fazia uma pesquisa no Google sobre a fotógrafa Irina Ionesco. Como a entrevista está nos arquivos do site, decidi transcrevê-la aqui, para que vocês me conheçam um pouco mais.

Géh - Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre sua trajetória?

Jozé de Abreu: Poxa, se você me disser quem sou eu, ficarei eternamente agradecido. Pergunta difícil, moça. Sou ator de muitos papéis, malabarista por necessidade, gozador por opção, cheio de dúvidas e dívidas, como todo brasileiro que já passou dos 50. Tenho mulher, filhos, uma casa e muitos livros. Sou um privilegiado!

A fotografia entrou muito cedo em minha vida. Meu avô tinha uma coleção de daguerreótipos e cartões-postais franceses do início do século passado, com belas mulheres nuas. Eu era menino ainda e ele me mostrava às escondidas. Deve ter vindo daí meu interesse pela fotografia erótica. Mas só comecei a fotografar aos 25 anos, quando comprei minha primeira câmera.

Tem uma coisa que faço questão de deixar claro: não sou fotógrafo profissional. Raramente ganho dinheiro com minhas fotos.

Géh - Erotismo nos meios de comunicação: Fala-se muito sobre uma erotização crescente da exibição do corpo feminino por parte dos meios de comunicação brasileiros. Você concorda com essa visão? Em caso positivo, a que você atribui esse fenômeno? Em caso negativo, o que você diria sobre esse assunto?

Jozé de Abreu: Existe, sim, mas o fenômeno não é novo nem se restringe ao Brasil. Erotismo vende e a lógica da mídia ocidental é, obviamente, capitalista. Há mais de 30 anos, as Chacretes já faziam as delícias dos marmanjos rebolando aquelas bundas imensas na TV, em pleno sábado à tarde. Acho que às vezes rola um certo exagero na TV aberta, mas os códigos de auto-regulamentação são eficientes e terminam ajustando as coisas. Na verdade, não acho que essa seja uma questão muito importante. Pior, bem pior, é a banalização do mal, da violência. Prefiro ter filhos erotizados do que ter filhos bandidos.

Géh - Fronteiras entre erotismo e pornografia: A discussão sobre os limites entre "erotismo" e "pornografia" é um tema recorrente. Um exemplo é o de uma campanha humorística na web que exibia um banner com os dizeres "Abaixo as fotos sensuais! Quero ver mulher pelada". Como diferenciar o que é o "nu artístico", a "fotografia erótica" e a "fotografia pornográfica"? Como fotógrafo, qual a sua opinião sobre o limite entre arte e pornografia?

Jozé de Abreu: Essa é uma discussão estéril. A fronteira entre o erótico e o pornográfico é difusa, subjetiva e pessoal. Muda de acordo com a época, com a cultura. Durante a ditadura, era proibido mostrar os mamilos e os pelos pubianos. As modelos que saiam na Playboy não tinham pentelhos nem mamilos, pareciam umas "Barbies". Hoje a Playboy é lida até em sala de espera de dentista e ninguém engasga com os pentelhos.

Acho a expressão "nu artístico" muito pedante. Qual seria o oposto do nu artístico? "Artístico" aí é usado como sinônimo de bom gosto e, nós sabemos, o bom gosto é socialmente determinado. Nem toda nudez tem apelo sexual. Por exemplo, as fotos do Spencer Tunik, aquele que fotografa um monte de gente nua amontoada nas ruas, não são eróticas, nem pornográficas. São políticas.

Mas, vamos lá! Do ponto de vista de quem consome: Pornográfica é a foto que você não se sente à vontade de admirar junto com seus pais ou com seus filhos. Do ponto de vista de quem produz: a foto é pornográfica quando tem a intenção de provocar excitação sexual. Pelo menos, essa é a distinção que me ocorre no momento.

Géh - Pornografia e Internet: Recentemente, a Internet deu novo fôlego à indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990. Agora se pode ter acesso a imagens e vídeos de sexo com um simples clique do mouse. A que você atribui esta incrível demanda?

Jozé de Abreu: De certo modo, a Internet democratizou o acesso a esse tipo de material. E as páginas com conteúdo sexual são realmente as campeãs de acesso. Acho que isso se deve a vários fatores. A maioria dos internautas é jovens, esse é o primeiro ponto. Outro aspecto importante é que a Internet permite que as pessoas acessem esse tipo de material sem se exporem, sem ter que ir à banca de revista ou à locadora de vídeo.

Géh - Masturbação: Percebe-se na mídia a crescente busca por imagens do corpo nu erotizado, atividades sexuais, com finalidade primariamente masturbatória. Na sua opinião o público masculino ainda é o maior consumidor neste mercado?

Jozé de Abreu: O público masculino ainda é maioria, mas isso vem mudando. É cada dia maior o número de mulheres que consomem material pornográfico. As estatísticas dos sites pagos mostram isso claramente. O número de assinantes do sexo feminino vem aumentando consistentemente.

Géh - Influência social da pornografia: Existem opiniões contraditórias sobre a pornografia em geral. Alguns sugerem que há uma relação entre pornografia e estupro, e outras formas de violência. Já a escritora Wendy McElroy afirma que: "Ela estimula fantasias sexuais. Ensina a pessoa a ter prazer no sexo". Para outros, a pornografia incentiva a tratar o sexo com franqueza. "A pornografia beneficia as mulheres", diz a escritora. Qual a sua visão sobre a influência social da pornografia?

Jozé de Abreu: Concordo com a Wendy. A pornografia é necessária e desejável. Ela confronta as pessoas com suas próprias fantasias, faz com que o homem ou mulher constate que não está sozinho em suas esquisitices, que existem outras pessoas que compartilham os mesmos gostos e interesses. A pornografia tem um lado educativo também. Mas é preciso ter em mente que os filmes pornográficos são ficção. Quem assiste ao Homem Aranha não sai por aí tentando saltar entre os edifícios. Do mesmo modo, quem assiste filme pornô não deve tomar o desempenho dos atores e atrizes como referência para seu próprio desempenho.

Géh - Vício Pornográfico: Nem todo mundo que vê pornografia ficará viciado. Alguns, talvez, apenas ficarão com algumas idéias distorcidas sobre mulher, sexo, casamento e crianças. Porém, outros terão algum tipo de abertura emocional que permitirá que o vício tome lugar. A pornografia pode distorcer o conceito que a pessoa tem sobre o sexo oposto?

Jozé de Abreu: Claro que pode. Toda mídia tem essa capacidade de distorcer conceitos e percepções. Portanto, não é só a pornografia que pode levar a uma visão distorcida do outro. Os programas de auditório, por exemplo, fazem isso de forma muito mais eficiente.

Géh - A Estética do belo: Na sua opinião, como apreciador da fotografia, gostaria que abordasse a "estética do belo" na fotografia primeiramente:

- Num conceito geral sobre fotografia:

Jozé de Abreu: Os conceitos estéticos mudam com o tempo. O problema é que, hoje, essas mudanças se processam mais rapidamente. Alguns fotógrafos conseguem superar isso e fazer fotos atemporais, que são belas hoje e continuarão sendo daqui a 50, 100 anos. Acho que o segredo é não se deixar influenciar por padrões impostos, ter um olhar só seu, mas isso nem sempre é possível.
Quem fotografa para revistas, por exemplo, não tem como escapar à ditadura da estética imposta pela mídia. Fotógrafos como Helmut Newton, Robert Maplethorpe e Irina Ionesco são exceções. A Irina, por exemplo, disse certa vez o seguinte: "em fotografia, só o que é estranho me interessa".

- Na fotografia do corpo, fotografia sensual:

Jozé de Abreu: O corpo é sempre um desafio e é isso que me fascina: conseguir uma abordagem nova e surpreendente. Claro que a técnica conta. A luz, o equipamento, a produção cuidadosa. Mas isso não basta. Fundamental mesmo é o olhar.


Se a entrevista fosse realizada hoje, eu não mudaria uma vírgula.


6.1.07

Minhas fotos

Além de publicar minhas fotos no FlickR, coloquei no ar um site com um pequeno portfólio: http://www.jozedeabreu.psyki.com.

O portfólio será atualizado periodicamente, sempre que me der na telha.

Divulgue!

7.12.06

Plenas

A gravidez me fascina.

Grávidas são lindas, umas mais que outras, é certo, mas todas possuem aquele ar de quem carrega um deus na barriga.

Grávidas possuem a sensualidade das frutas maduras, no ponto exato da colheita.

Gosto de admirar fotos de mulheres grávidas e, mais que tudo, gosto de fotografá-las. No link a seguir, você poderá ver um ensaio que fiz da Carol, quando ela estava no sétimo mês de gravidez. Carol é uma mulher linda, uma pessoa linda, por quem nutro carinho e amizade especialíssimos.

http://www.bubbleshare.com/album/94674.74dabbf44a6/overview


Apreciem com moderação.

8.11.06

Tira a mão daí, menina!



Sou fascinado por flagrantes de gente arrumando vitrine.
Shopping Malibu, Vilas do Atlântico.

2.11.06

Dia de luz, festa de sol

Só não vai quem já morreu.


Vilas do Atlântico - Lauro de Freitas

7.10.06

Mudando

O endereço do meu fotoblog mudou para
http://meujeitodeolhar.blogspot.com

5.10.06

Meu filho



Já não lembro ao certo quando fiz esta foto do meu filho. Ele devia ter 1 ano ou 2, e a foto foi feita num final de tarde, na varanda do apartamento onde morávamos. Hoje, mexendo em velhos guardados, eu a encontrei. Fiquei fascinado pela esperança que existia no olhar do meu menino, hoje homem. Sim, feliz ou infelizmente, eles crescem e a vida se encarrega de colocá-los frente a uma realidade que insiste em turvar a esperança.

Um beijo pra você, João. Sei que, no fundo, você possui as armas - caráter, determinação, coragem e respeito pelos outros - que lhe permitirão vencer todas as adversidades.


[clique na foto para ampliar]

25.9.06

Pelas ruas do Pelô

Na semana passada, fui ao Pelourinho dar uma caminhada por seus becos e vielas. O lugar continua bonito, razoavelmente bem conservado e a presença de dois policiais em cada esquina passa a idéia de que estamos, também, razoávelmente seguros.

Apenas um senão: mesmo sendo da terra, alí você é turista e ponto. Fui com a intenção de fazer algumas fotos e descobri que é impossível fotografar quem quer que seja sem pagar por isso. Do vendedor de picolé à baiana vestida a caráter, todos só se deixam fotografar mediante pagamento. Eles partem do princípio de que você irá comercializar as fotos e querem levar sua parte no negócio, o que considero justo. Afinal, a lógica capitalista está entranhada nas pedras irregulares daquelas ladeiras desde o século XVI.


8.9.06

Marcelo Montecino


We Demand Democracy, Santiago 1988
Originally uploaded by Marcelo Montecino.

Marcelo Montecino é um fotógrafo chileno engajado nas lutas sociais do seu país.
Testemunha ocular dos principais eventos que marcaram a vida política do Chile nos últimos 30 anos, suas fotos contam a história de um povo que jamais se rendeu à opressão e à truculência.

Não foi por acaso que o Chile chegou onde chegou.