
O carnaval da Bahia está, ainda, por merecer um estudo sério e profundo sobre suas implicações econômicas e sociais. O que era manifestação cultural expontânea transformou-se numa grande indústria, geradora de empregos (formais e informais), renda e impostos.
Se há nisso um componente destruidor, muito bem colocado pela Cláudia em seu blog, há também um conjunto de aspectos positivos que não devem ser desprezados. O processo de profissionalização dos blocos e trios elétricos foi uma resposta à exploração do carnaval de rua de Salvador, por parte da mídia hegemônica, como grande espetáculo gerador de grandes receitas publicitárias. Essa profissionalização fez com que os blocos e trios deixassem de ser coadjuvantes e se assumissem como atores principais do espetáculo. Os blocos e trios de hoje representam a evolução, através de fusões, incorporações e aquisições de outros tantos que existiam nas décadas de 1970 e 1980. Os blocos que resistiram ao processo foram engolidos ou desapareceram.
Os blocos são geridos com grande competência. Prova disso é o uso do conceito crescimento baseado em "novos usos" e "desenvolvimento de novos mercados", que se traduz em diversos outros eventos carnavalescos realizados ao longo ano, e a exportação do nosso carnaval de rua para outros estados e países. O que era sazonal e dava dinheiro apenas em fevereiro, agora gera receita (e muita) o ano inteiro. O patrocínio desses blocos é disputado pelos grandes fabricantes de bebida - ou seja, cerveja - e alguns, a exemplo do Camaleão, têm suas marcas associadas a diversos produtos, através de contratos de franquia (no ano passado, por exemplo, a Ford lançou o Eco Sport Camaleão). Traduzindo: trata-se de um negócio que é tocado dentro de princípios estritamente capitalistas.
Acontece que todo sistema traz em si mesmo sua própria contradição e, no caso do carnaval de rua de Salvador, o "povão" terminou ficando do lado de fora da corda do bloco. Como se não bastasse, durante os dias da festa, bens públicos como ruas, calçadas e praças, são privatizados e se transformam em camarotes onde a elite assiste a tudo sem precisar se misturar com o povo e, pelo menos teoricamente, sente-se protegida contra os atos de violência.
Considerado o maior evento de rua do mundo, o carnaval de Salvador está diante de um problema. Os foliões endinheirados e os turistas formam um contingente que cresce a cada ano e demanda cada vez mais espaço. Onde, então, colocar o povão?
Se há nisso um componente destruidor, muito bem colocado pela Cláudia em seu blog, há também um conjunto de aspectos positivos que não devem ser desprezados. O processo de profissionalização dos blocos e trios elétricos foi uma resposta à exploração do carnaval de rua de Salvador, por parte da mídia hegemônica, como grande espetáculo gerador de grandes receitas publicitárias. Essa profissionalização fez com que os blocos e trios deixassem de ser coadjuvantes e se assumissem como atores principais do espetáculo. Os blocos e trios de hoje representam a evolução, através de fusões, incorporações e aquisições de outros tantos que existiam nas décadas de 1970 e 1980. Os blocos que resistiram ao processo foram engolidos ou desapareceram.
Os blocos são geridos com grande competência. Prova disso é o uso do conceito crescimento baseado em "novos usos" e "desenvolvimento de novos mercados", que se traduz em diversos outros eventos carnavalescos realizados ao longo ano, e a exportação do nosso carnaval de rua para outros estados e países. O que era sazonal e dava dinheiro apenas em fevereiro, agora gera receita (e muita) o ano inteiro. O patrocínio desses blocos é disputado pelos grandes fabricantes de bebida - ou seja, cerveja - e alguns, a exemplo do Camaleão, têm suas marcas associadas a diversos produtos, através de contratos de franquia (no ano passado, por exemplo, a Ford lançou o Eco Sport Camaleão). Traduzindo: trata-se de um negócio que é tocado dentro de princípios estritamente capitalistas.
Acontece que todo sistema traz em si mesmo sua própria contradição e, no caso do carnaval de rua de Salvador, o "povão" terminou ficando do lado de fora da corda do bloco. Como se não bastasse, durante os dias da festa, bens públicos como ruas, calçadas e praças, são privatizados e se transformam em camarotes onde a elite assiste a tudo sem precisar se misturar com o povo e, pelo menos teoricamente, sente-se protegida contra os atos de violência.
Considerado o maior evento de rua do mundo, o carnaval de Salvador está diante de um problema. Os foliões endinheirados e os turistas formam um contingente que cresce a cada ano e demanda cada vez mais espaço. Onde, então, colocar o povão?
Foto: Estadão




