5.12.06

Por falar em gerundismo

Eis uma historinha exemplar que escrevi há algum tempo e nunca publiquei. Trata-se, obviamente, de uma obra ficcional.

A MOÇA DO TELEMARKETING
ou Fodendo com o gerúndio


# 1.
"E aí? Vamos sair hoje?"
"Hoje não vai dar porque eu vou estar ficando menstruada. Mas vou estar agendando e na próxima semana a gente pode estar saindo."

#2.
"Alô!"
"Oi! Eu não disse que ía estar ligando esta semana?
"E aí, pode ser ou tá difícil?"
"A gente pode estar saindo hoje."

Horas mais tarde, após uns amassos dentro do carro:

"Você bem que podia estar me encaminhando para um lugarzinho mais aconchegante."
"Eu estou, baby. É que no gerúndio tudo demora muito, sabe?"
"Nunca fui no Gerúndio. Esse motel é novo, né? Aqui eu vou estar ficando com medo da gente ser assaltado."

Fomos!

#3.
No motel:

"Um minuto por favor. Eu vou estar tomando um banho e já volto."
E eu fiquei lá, esparramado numa poltrona, com um uísque na mão e aquela musiquinha em minha cabeça: tanranranranranaranraaannn, tanranran, tanranran... tanranranranranaranraaannn, tanranran, tanranran...
Ela, enrolada numa toalha, cabelos pingando:
"Ué! Você ainda tá assim todo vestido?"
"Vamos embora."
"Mas, já?
"Já! Agora! Now!"
"Que foi que houve?"
"Nada. Mas a gente não vai estar fudendo, nem gozando, nem nada. Vou estar encaminhando você pra casa."

Encaminhei rapidamente. Se não fosse o gerúndio eu teria comido. Teria? Mas isso é futuro do pretérito.

16 comentários:

Claudio disse...

Assim vou ficar estando viciado no seu blog. Xiii, isso pega....

abs

Jorge disse...

Muito boa a história - risos -

Mas veja o que algumas empresas estão fazendo para tentar contornar a questão do "gerundismo"

capital humano
01/12/2006

“Gerundismo” leva empresa a fazer campanha intensiva de leitura e escrita


Marina Rosenfeld
Karina Costa (colaboração)
especial para o GD

O uso incorreto da língua portuguesa pelos profissionais brasileiros tem sido uma preocupação constante das empresas. Para evitar “gerundismos” e vícios de linguagem, a TMS Call Center, de telemarketing, iniciou uma campanha que inclui de leitura de livros em horário de trabalho a concursos de poesias.

Na primeira etapa foi lançada a Semana do Livro para promover a troca de obras entre os funcionários. Durante o expediente são lidos trechos de livros de autores consagrados da literatura brasileira. Cada funcionário vira um contador de história e divide com os colegas suas leituras preferidas.

A segunda fase é composta por palestras com especialistas e autores sobre temas como “gerundismo”, “etiqueta”, comunicação escrita, vícios de linguagem, gramática, lingüística e pronúncia.

Por fim, foi criada a Semana da Poesia que premia os melhores poemas escritos por funcionários sobre temas comuns ao cotidiano da empresa.


link http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/capital_011206.shtml

Jorge disse...

Alberto,cheguei atrasado, você já havia feito o comentário e eu não tinha lido. Pensamos sincronamente na mesma questão - risos -


Um abraço

Carlos Emerson Junior disse...

Que tal mandarmos uma cópia do post para Telemar, Vivo, Claro, Tim, Oi, Brasil Telecom, Cartões de crédito, bancos, etc., etc e etc.??????

Anônimo disse...

A coisa "parece estar indo" mal com a língua portuguesa, ahahah!

Ricardo M
www.homembaile.blogspot.com

o pior h do mundo disse...

Ui... "seu" Jorge!...

... A semana que premeia... (verbo premiar)e não "premia", que é forma verbal de "premir".

Bahhh.... não esquenta... eu também faço muitos herros.

Ciça disse...

Sempre ouvi dizer que o cão chupando manga era um visão dos infernos... mas até que a Dolly ficou bonitinha!!!

Mano, já pensou uma leitura de "A casa dos Budas ditosos" no trabalho??? Estaremos plantando a semente da saliencia

o pior h do mundo disse...

A Cesar o que é de Cesar!

Reparo agora que o erro não é do amigo Jorge nem do amigo José fARIAS: é oriundo da "Folha". Estes amigos apenas podem ser "censurados" por ter, cada um do mesmo modo, insistido no erro.

Já dizia Cícero que "ERRAR HUMANUM EST SED ERRORUM PERSEVERARE DIABOLUCUM".

Jorge disse...

o pior h do mundo, não é por nada não, mas:

Primeiro: essa parte do texto não fui eu que escrevi, é apenas uma citação do texto da UOL.

Segundo: você está certo, afinal, premiar, verbo terminado em IAR, na terceira pessoa do singular no presente do indicativo se escreve premeia e não premia tal como odeia, incendeia, medeia anseia, remedeia e etc. e não odia, incendia, media, ansia, remedia e etc.


Bem observado.

Jorge disse...

o pior h do mundo, então cometemos o mesmo erro da desatenção, você por não ler lido o texto por inteiro e nós por não temos dado importância à forma verbal empregada porém ao conteúdo informativo.

Acho que estamos quites em pé de igualdade

Jorge disse...

Errata:

No texto acima corrijo:

...você por não TER lido o texto...
...nós por não TERMOS dado importância..

O mesmo se deu por erro de digitação.

Grato

o pior h do mundo disse...

Ah?!!!... Não li o texto?!... Se não li, como observei o erro?... Pelo tacto?...

(O meu equívoco foi sòmente o de supor que o texto original estaria bem escrito e que o erro se devesse à trasladação.)

Amigo Jorge, fica a dever-me uma!

Jorge disse...

o pior h do mundo, você continua a não ler o texto por INTEIRO. Comete novamente o erro da desatenção. Veja que eu não disse que você não leu o texto, disse que não o leu por INTEIRO. Preste mais a atenção! POR INTEIRO! Viu!

Seu erro foi o de não prestar a atenção nas sutilezas do "post" e supor precipitadamente errado.

Seja humilde de admitir o que todos por aqui já notaram. Você bateu e nem desculpas sinceras foi capaz de tecer. E fica com sarcasmos entre um texto e outro, e ao contrário de você, eu presto muito a atenção nisto.

Fugu F. disse...

Gerúndio só me incomoda no telemarketing. No sexo virtual, o que me dói é goSar com "S" ... rsssssssssssss Bom mesmo é beijar na boca, que economiza palavras.

o pior h do mundo disse...

Amigo Jorge:

Manifestei humildade confessando o equívoco. Fora isso não sinto culpa e não tenho nada a expiar; a minha intervenção incidiu sobre um verbo inserto num texto e não sobre o objecto ou o tema do mesmo: ainda que não o tivesse lido por inteiro, não precisaria...

Por falar em bater: bata aí cinco!; e faça como eu - aproveite a parte positiva do colóquio.

Claudia disse...

Amei a historinha.,.
Mas essa masturbação mental de isso tá errado, não isso tá certo, não isso não se escreve assim, sim, isso se escreve assado..
Chato pacaraleo..rs..
Vamos relaxar e curtir..